Mulher em tratamento oncológico com expressão serena, representando bem-estar e apoio emocional durante a quimioterapia

Biofeedback na Oncologia: apoio à regulação psicofisiológica durante a quimioterapia

A quimioterapia é um dos tratamentos mais utilizados no combate ao cancro. Embora tenha como objetivo destruir as células cancerígenas e impedir a progressão da doença, os seus efeitos secundários podem impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Náuseas, fadiga, dor crónica, alterações imunológicas e emocionais são alguns dos efeitos frequentemente associados a este processo, afetando não apenas o corpo, mas também o bem-estar psicológico.

Neste contexto, torna-se essencial adotar abordagens complementares que ajudem a reduzir a sobrecarga do organismo e a promover uma melhor adaptação física e emocional durante o tratamento.

Efeitos da Quimioterapia no Organismo

A quimioterapia atua de forma sistémica, afetando tanto células cancerígenas como células saudáveis que se dividem rapidamente, como as do sistema digestivo, folículos capilares e sistema hematológico.

  • Danos celulares generalizados, resultantes da interrupção da divisão celular.
  • Supressão do sistema imunitário, aumentando a vulnerabilidade a infeções.
  • Sobrecarga hepática e renal, devido ao metabolismo e eliminação dos fármacos.
  • Inflamação e dor persistente, frequentemente associadas a fadiga e desconforto físico.
  • Impacto emocional, com aumento de ansiedade, stress e alterações do humor.

Biofeedback: uma abordagem terapêutica complementar

O Biofeedback é uma técnica não invasiva que utiliza tecnologia avançada para monitorizar funções fisiológicas do organismo, como frequência cardíaca, atividade muscular, temperatura corporal e padrões de resposta do sistema nervoso.

Através deste processo, o paciente aprende a reconhecer e regular respostas físicas e emocionais em tempo real, promovendo uma maior autorregulação e equilíbrio psicofisiológico.

Principais benefícios do Biofeedback em pacientes oncológicos

  • Redução da dor, através do controlo da tensão muscular e do relaxamento.
  • Alívio da fadiga, favorecendo uma recuperação mais eficiente.
  • Gestão da ansiedade e do stress, promovendo estabilidade emocional.
  • Suporte à função imunitária, auxiliando o organismo durante o tratamento.
  • Melhoria do bem-estar emocional, ajudando o paciente a lidar melhor com o processo terapêutico.

Evidência científica e enquadramento clínico

Estudos publicados em revistas científicas reconhecidas demonstram que o Biofeedback pode contribuir para a redução da dor, da ansiedade e da fadiga em pacientes submetidos a quimioterapia, além de melhorar o controlo emocional e a perceção global de bem-estar.

Estas evidências reforçam o papel do Biofeedback como uma ferramenta complementar valiosa, integrada numa abordagem centrada na pessoa e orientada para a qualidade de vida.

Considerações finais

O tratamento oncológico é, muitas vezes, exigente e desafiante. O Biofeedback surge como uma abordagem complementar que apoia a regulação psicofisiológica e o equilíbrio emocional, contribuindo para um acompanhamento mais humanizado e integrativo do paciente oncológico.

Para profissionais de saúde e pacientes, representa uma estratégia adicional que valoriza a autorregulação, o conforto e o bem-estar ao longo do processo terapêutico.

Referências

  • Kabat-Zinn, J. (1990). Full Catastrophe Living. Delta.
  • Montgomery, G.H. et al. (2000). Journal of Consulting and Clinical Psychology.
  • Burgess, S. & Williams, M. (2013). Journal of Clinical Oncology.
  • Jensen, M.P. & Karoly, P. (2001). American Psychological Association.